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Fotografia - Fotógrafos -

Imagens da História da Fotografia

Henry Peach Robinson, Gossip on the Beach, aprox. 1885

A Galeria Nacional de Artes em Washington D.C. (EUA) inaugurou uma exposição que registra os primeiros 50 anos da fotografia. Composta por 140 fotos da sua coleção permanente, a coleção The Eye of the Sun mostra toda a experimentação e o talento artístico que fundaram a maneira como vemos a fotografia hoje.

Em 1839, quando o inventor francês Louis-Jacques-Mandé Daguerre revelou uma foto com seu daguerreótipo, o mundo ficou impressionado com as possibilidades da fotografia. Até então, as descrições da vida eram criadas somente por pintores, escultores e ilustradores. Mas, agora, elas poderiam ser captadas por meio desta nova tecnologia, com um realismo e uma autenticidade sensacionais. O meio século que se seguiu foi marcado por uma tremenda inovação de artistas, empreendedores e cientistas, cada um descobrindo novas formas de utilizar esta tecnologia e desafiar os seus limites.

Diane Waggoner é a curadora de fotografias do século 19 da Galeria Nacional de Artes e a mente por trás da exposição The Eye of the Sun. Aqui, ela compartilha com o BuzzFeed News uma seleção de tesouros da exibição e a história fascinante por trás destas fotografias antigas.

De onde o título The Eye of the Sun veio?

Diane Waggoner: Na verdade, “The Eye of the Sun" é uma citação tirada de um artigo seminal escrito por Lady Elizabeth Eastlake em 1857 sobre fotografia. Isso foi cerca de 20 anos depois que a fotografia foi apresentada ao mundo, em 1839.

George Barker, Silver Springs, Florida, aprox. 1886.
Esquerda: Andrew & Ives, Frederick Douglass, 1863. Direita: McPherson & Oliver, The Scourged Back, aprox. 1863.

Em 1857, ela escreveu um artigo sobre fotografia que discutia todas as várias formas de utilizar a fotografia — o que isso significava, como isso mudou o mundo, como mudou a forma de as pessoas viverem as suas vidas. Até um certo ponto, ela chama a câmera de "o olho do sol". Eu achei essa frase muito evocativa, então a adaptei para o nome da exibição.

Quais foram as principais inovações tecnológicas que iniciaram essa revolução?

DW: Houve dois processos básicos de fotografia rivais no mundo em 1839. Um era o daguerreótipo, que foi uma invenção francesa de Louis-Jacques-Mandé Daguerre. Essencialmente, era uma máquina de fotografar feita com uma placa de cobre revestida de prata — o que chamamos de positivo direto, o que significa que era uma imagem real e não podia ser reproduzida, a menos que você a fotografe novamente.

Nos Estados Unidos, estúdios de daguerreótipos começaram a abrir meses depois do anúncio, e muitas pessoas, na maioria homens, viram isso como uma oportunidade de negócios.

Andrew Joseph Russell, Stone Wall, Rear of Fredericksburg, with Rebel Dead, 3 de maio de 1863.
John Reekie, A Burial Party, Cold Harbor, Va., 1866.

Na Inglaterra, havia William Henry Fox Talbot, que desenvolveu um processo que envolvia fazer um negativo em um papel e fazer uma impressão em papel salgado correspondente a partir do negativo. Isso, é claro, foi o que se tornou a base de todos os sistemas de fotografia até o advento da fotografia digital. A vantagem disso é que você podia fazer mais de uma cópia a partir do mesmo negativo. Infelizmente, essa invenção levou um pouco mais de tempo para ganhar popularidade, em parte porque Talbot havia conseguido uma patente na Inglaterra, então ela era exclusivamente dele.

Nos anos 1850, novos processos foram introduzidos, chamados negativos de vidro e colódio úmido e a impressão de albume, que foram variações do negativo de papel, mas alcançaram um nível mais alto de detalhes acentuados e uma gama maior de tons. Esses processos superaram o daguerreótipo e se tornaram os processos mais dominantes da segunda metade do século 19.

Viscountess Jocelyn, Interior of Room, aprox. 1862.
Esquerda: Augustus Washington, Portrait of a Woman, aprox. 1850. Direita: autor desconhecido, Portrait of a Man, aprox. 1850.
Platt D. Babbitt, Niagara Falls, aprox. 1855.

Você mencionou que eram principalmente homens que fizeram parte desse ramo naquele período. Quem eram as mulheres na fotografia? E você tem exemplos das obras delas na exibição?

Uma das coisas que eu tentei fazer foi incluir o máximo possível de fotógrafas, o que não é muito, já que, é claro, a fotografia do século 19 era dominada por homens. Havia muitas mulheres trabalhando no comércio de fotografia, mas elas eram mais vistas trabalhando como técnicas ou coloristas. Ainda assim, quando pudemos, com certeza adquiriremos obras de fotógrafas.

Na exibição, nós temos a bem conhecida Julia Margaret Cameron — ela sempre foi uma das minhas favoritas de todos os tempos. Então, há algumas de mulheres bem menos conhecidas, como Mary Dillwyn, que foi irmã do fotógrafo John Dillwyn Llewelyn. Eles eram de uma família galesa, parentes de casamento de Talbot. Tem essa foto fabulosa de Mary Dillwyn na exibição de três mulheres aproveitando um piquenique, segurando garrafas e curtindo passarem um tempo juntas. Essa foi tirada em 1854, e tem esse senso realmente maravilhoso de espontaneidade e intimidade, apesar do fato de que o tempo de exposição não foi instantâneo.

Esquerda: Julia Margaret Cameron, A Minstrel Group, 1867. Direita: Mary Dillwyn, The Picnic Party, 1854.
Henry Peach Robinson, She Never Told Her Love, 1857.
Esquerda: Julia Margaret Cameron, The Sunflower, início da década de 1870. Direita: Oscar Gustaf Rejlander, Ariadne, 1857.

O que aconteceu com esses processos fotográficos e por que não os vimos tanto em uso com a chegada do século 20?

A maneira com que a exibição é organizada ajuda a explicar isso. Na primeira sala, você verá as fotografias mais antigas na coleção da galeria, enquanto o encerramento é a introdução da câmera Kodak em 1888, que foi a primeira câmera de fotos instantâneas desenvolvida por George Eastman.

Até aquele ponto, todos esses processos fotográficos dos quais eu estava falando foram muito complicados e difíceis de dominar, particularmente na década inicial, quando se tinha que misturar as suas próprias fórmulas, e assim por diante. Com a Kodak, o slogan era: “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”. A câmera veio com um rolo de filme instalado nela. Você fazia as exposições e enviava elas para a empresa, e eles faziam as impressões e enviavam de volta.

O que você espera que as pessoas aprendam com a exposição The Eye of the Sun?

Para mim, eu acho o século 19 uma época particularmente fascinante na fotografia, porque é o começo absoluto. Era tão experimental e livre naquelas primeiras décadas — para mim, é mágico trabalhar com fotógrafos desse período de tempo, e me sentir como se tivesse uma janela para mundo através da lente da câmera. Eu quero que as pessoas aprendam como a fotografia era mágica naqueles primeiros anos e se permitam ter um senso de intimidade com o passado.

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