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Dia Nacional de Combate à Sífilis e a Sífilis Congênita - Outubro

Aumento do número de casos de sífilis preocupa especialistas

Uma epidemia silenciosa de sífilis avança no Brasil, e o mais preocupante é que grande parte dos infectados não sabe que está transmitindo a doença para outras pessoas. Segundo o infectologista José Valdez Madruga, a enfermidade tem uma característica peculiar: três semanas após a contaminação surge uma lesão ulcerativa na genitália do infectado – na região do freio ou frênulo do prepúcio, nos homens, e no encontro dos pequenos lábios, nas mulheres – que some espontaneamente depois de alguns dias, dando a falsa impressão de cura.

A maioria das pessoas não tem noção de que está contaminada, pois após o desaparecimento das lesões, os sintomas não são muito visíveis. Podem surgir manchas vermelhas na pele, mas muitas vezes o paciente não as associa à doença. Na verdade, ele só vai descobrir se for ao médico e lhe for solicitado um exame de sangue específico, informa. 

A situação é bastante grave, principalmente no estado de São Paulo, onde o número de adultos contaminados aumentou, em seis anos, mais de 600%, segundo estatísticas da Secretaria Estadual da Saúde. Aproximadamente sete pessoas são infectadas diariamente pela bactéria Treponema pallidum, que causa a sífilis.

Nos casos das mulheres grávidas, o aumento também foi grande. O número de infectadas saltou de 1.863, em 2005, para 21.382, em 2013, alta que equivale a mais de 1.000%.

As pessoas precisam saber que também é possível contrair a doença por meio do sexo oral e anal, completa Madruga.

Segundo o médico sanitarista Artur Kalichman, do Programa Estadual DST/Aids do Estado de São Paulo, o aumento tem alguns motivos específicos, como o fato de a enfermidade ter passado a entrar na lista de notificações compulsórias desde 2010. Ou seja, a cada novo caso diagnosticado, a secretaria do município precisa informar as autoridades. Antes, era obrigatória apenas a notificação de casos de grávidas e recém-nascidos com a doença.

Mas, de fato, está acontecendo um aumento no número de casos. Um dos motivos possíveis é que as pessoas deixaram de usar preservativos nas relações sexuais. Outra questão que pode contribuir para isso é que elas não estão procurando os serviços de saúde como deveriam, não estão tendo acesso ao tratamento. Ou então os profissionais não estão sabendo abordar os pacientes de forma correta quando eles chegam às unidades de saúde, destaca Kalichman.

Grande parte das pessoas não usa camisinha porque acredita que a Aids se tornou uma doença tratável, crônica  Mas não se pega apenas Aids  nas relações sexuais desprotegidas. Há outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorreia, alerta o infectologista José Valdez .

É importante lembrar que a sífilis é altamente curável, mas não gera imunidade. Portanto, é possível se infectar mais de uma vez se não usar preservativo.

Testagens 

Frequentemente, a Secretaria do Estado da Saúde realiza os mutirões com os chamados testes rápidos de HIV e sífilis. Para isso, é necessária apenas uma gota de sangue do dedo. O resultado sai em cerca de 30 minutos e, caso dê positivo, o paciente já é encaminhado imediatamente para o tratamento.

Mas o teste rápido só é 100% confiável se o resultado for negativo. Se o teste der positivo, o paciente precisa fazer um  teste confirmatório para ter certeza do diagnóstico. Isso ocorre porque se, por exemplo, o paciente já teve sífilis uma vez e foi curado, mesmo assim ele fica com uma cicatriz sorológica. O teste rápido não sabe diferenciar se esse é um caso ativo ou não. Mas já serve para uma primeira triagem, comenta Artur Kalichman. 

Falta de medicamento

Outro grande problema  é que está em falta no mercado mundial a penicilina benzatina, conhecida como Benzetacil®. O antibiótico é usado para tratar sífilis e outras infecções bacterianas. O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) informa que o desabastecimento de penicilina é um problema mundial e a interrupção do fornecimento dos insumos para a produção foi repentina, o que originou o problema.
Apesar de a benzatina ser um dos medicamentos chefes para tratar a sífilis, é possível substitui-lo por outros antibióticos específicos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a previsão de normalização do abastecimento do medicamento acontecerá nas próximas semanas.

Use camisinha em todas as relações sexuais.

Importante: O teste para a sífilis está disponível de forma gratuita, o ano inteiro nos Centros de Saúde e nos Centros de Testagem. Todas as pessoas com vida sexual ativa devem realizar o teste.

Se você possui alguma dúvida em relação a sintomas e tratamento ligue para o Disk DST/Aids: 0800-162550.

 

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JULIANA CONTE 

Artigo Publicado em 25 de junho de 2015 
Revisado em 27 de setembro de 2018

Jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

 

 

Ministério da Saúde

Sífilis

O que é

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior.

Novos casos de Sífilis no Brasil

Segundo o Ministério da Saúde, os casos de sífilis no Brasil aumentaram 27,9% de 2015 para 2016. A incidência de sífilis congênita cresceu 4,7% e o índice de grávidas infectadas também teve aumento de 4,7%. Nos Estados Unidos, por exemplo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de infecções por sífilis congênita cresceu entre 2012 e 2016, o índice foi de 8,4 casos por 100 mil nascimentos de crianças vivas (em 2012) para 15,7 casos por 100 mil nascimentos de crianças vivas (em 2016); um aumento de 87%.

Formas de transmissão

A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, ou para a criança durante a gestação ou parto.

Sinais e sintomas

Sífilis primária

  • Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias.
  • Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.

Sífilis secundária

  • Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial.
  • Pode ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias.
  • Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo.

Sífilis latente – fase assintomática

  • Não aparecem sinais ou sintomas.
  • É dividida em sífilis latente recente (menos de dois anos de infecção) e sífilis latente tardia (mais de dois anos de infecção).
  • A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Sífilis terciária

  • Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção.
  • Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Diagnóstico

O teste rápido (TR) de sífilis está disponível nos serviços de saúde do SUS, sendo prático e de fácil execução, com leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. O TR de sífilis é distribuído pelo Departamento das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais/Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde (DIAHV/SVS/MS), como parte da estratégia para ampliar a cobertura diagnóstica.

Nos casos de TR positivos (reagentes), uma amostra de sangue deverá ser coletada e encaminhada para realização de um teste laboratorial (não treponêmico) para confirmação do diagnóstico.

Em caso de gestante, devido ao risco de transmissão ao feto, o tratamento deve ser iniciado com apenas um teste positivo (reagente), sem precisar aguardar o resultado do segundo teste.

Tratamento

O tratamento de escolha é a penicilina benzatina, que poderá ser aplicada na unidade básica de saúde mais próxima de sua residência.

Prevenção

O uso correto e regular da camisinha feminina ou masculina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal de qualidade contribui para o controle da sífilis congênita.

 

Sífilis congênita

É uma doença transmitida para criança durante a gestação (transmissão vertical).= Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado for positivo (reagente), tratar corretamente a mulher e sua parceria sexual, para evitar a transmissão.

Recomenda-se que a gestante seja testada pelo menos em 3 momentos:

  • Primeiro trimestre de gestação
  • Terceiro trimestre de gestação
  • Momento do parto ou em casos de aborto

Sinais e sintomas

Pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança.  São complicações da doença: aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e/ou morte ao nascer.

Diagnóstico

Deve-se avaliar a história clínico-epidemiológica da mãe, o exame físico da criança e os resultados dos testes, incluindo os exames radiológicos e laboratoriais.

Tratamento

Quando a sífilis é detectada na gestante, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível,   com a penicilina benzatina.  Este é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical. A parceria sexual também deverá ser testada e tratada para evitar a reinfecção da gestante. São critérios de tratamento adequado à gestante:

  • Administração de penicilina benzatina
  • Início do tratamento até 30 dias antes do parto
  • Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da sífilis
  • Respeito ao intervalo recomendado das doses

Prevenção

O uso correto e regular da camisinha feminina ou masculina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal de qualidade contribui para o controle da sífilis congênita.

Cuidados com a criança exposta à sífilis

O principal cuidado à criança é a realização de um pré-natal de qualidade e o estabelecimento do tratamento adequado da gestante.

Todas as crianças expostas à sífilis de mães que não foram tratadas, ou receberam tratamento não adequado, são submetidas a diversas intervenções que incluem: coleta de amostras de sangue, avaliação neurológica (incluindo punção lombar), raio-X de osso longos, avaliação oftalmológica e audiológica. Muitas vezes há necessidade de internação hospitalar prolongada.  

Referências:

- http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist/sifilis