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Novo medicamento: Erenumab é aprovado como nova profilaxia para enxaqueca

Novo medicamento: Erenumab é aprovado como nova profilaxia para enxaqueca

A enxaqueca é uma doença crônica caracterizada por uma dor de cabeça intensa e pulsante, que pode ser em casos debilitante; pode vir acompanhada de enjoo, vômitos, tonturas, sensibilidade à luz, dor na nuca e dificuldade de concentração. A enxaqueca difere da dor de cabeça comum por produzir dor latejante e geralmente só de um lado da cabeça.

Já em 2017, já havia sido publicado um estudo sobre este novo biomedicamento Erenumab na profilaxia da enxaqueca. Este mês o FDA(Food and Drug Administration dos EUA) aprovou o uso do Aimovig (Erenumab) como  medicamento profilático de enxaqueca. Este medicamento foi desenvolvido pelos laboratórios Novartis e Amgen.

O Erenumab é uma substância ativa inovadora produzida na forma de injeção, criada para prevenir e reduzir a intensidade da dor da enxaqueca em pessoas com 4 ou mais episódios por mês. Este medicamento é o primeiro e único anticorpo monoclonal projetado especificamente para a prevenção da enxaqueca.

Os resultados dos estudos com Erenumab foram muito positivos, havendo uma redução para metade do número de enxaquecas e também da duração dos episódios de dor, com administrações de doses de 70 mg e 140 mg. Além disso, este medicamento foi bem tolerado, não tendo sido relatados efeitos secundários.

O Erenumab é um anticorpo monoclonal humano que atua bloqueando o receptor do peptídeo (são biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos através de ligações peptídicas estabelecidas entre grupo amina de um aminoácido com um grupo carbóxilo de outro aminoácido) relacionado com o gene da calcitonina, que é um composto químico presente no cérebro que está envolvido com a ativação da enxaqueca e a duração da dor.

Acredita-se que o peptídeo relacionado com o gene da calcitonina tenha um papel fundamental na fisiopatologia da enxaqueca, estando a ligação com os seus receptores envolvida na transmissão de dor da enxaqueca. Em pessoas com enxaqueca, os níveis deste peptídeo  aumentam no início do episódio, voltando ao normal após o alívio da dor com terapia com medicamentos usados no tratamento da enxaqueca, ou quando o ataque desaparece.

Além do erenumab, três outros tratamentos com anticorpos anti-CGRP estão em uma corrida no mercado. Isso inclui o galcanezumabe (Eli Lilly e Co) e o eptinezumab (Alder BioPharmaceuticals), que espera obter a aprovação da FDA até o final de 2018. Há também o fremanezumabe (Teva Pharmaceuticals).

Assim, o Erenumab não só poderá reduzir os episódios da enxaqueca, como poderá também reduzir a toma de medicamentos atualmente usados para tratar a enxaqueca, que apresentam muitos efeitos colaterais. 

 

O erenumab administrado por via subcutânea numa dose mensal de 70 mg ou 140 mg reduziu significativamente a frequência da enxaqueca, os efeitos das enxaquecas nas atividades diárias e o uso de medicação aguda específica da enxaqueca durante um período de 6 meses. A segurança a longo prazo e a durabilidade do efeito do erenumab requerem um estudo mais aprofundado. (Financiado pela Amgen e Novartis; STRIVE ClinicalTrials.gov number, NCT02456740.)

Com base no comunicado da empresa, o preço do erenumab nos EUA será de US$ 575 para uma dose única de 70 ou 140 mg mensal, ou US$ 6.900 por ano. O pedido de autorização de comercialização da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para a Aimovig está em revisão, com previsão de aprovação dentro de poucos meses. Aguardamos o posicionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

 

Qual a melhor medicação para crise de enxaqueca?

Artigo : Dr. Henrique Cal - 27/10/2017 

Tempo de leitura: 2 minutos.

Todo médico vai tratar crise de enxaqueca alguma vez na vida. Enquanto o tratamento profilático fica a cargo dos neurologistas, as descompensações são um assunto muito comum também entre os generalistas. Estes devem considerar quais são as medicações mais eficazes, bem como seus efeitos adversos.

Pela primeira vez, acaba de ser publicada uma importante meta-análise comparando a tolerabilidade dos principais medicamentos usados nos tratamento agudo (sintomático) da enxaqueca. Foram avaliados 141 trials, incluindo as principais medicações indicadas para o controle das crises: triptanos, anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) e ergotamínicos.

Quais as conclusões deste trabalho?

1) Os triptanos foram os que causaram mais efeitos adversos (sonolência, vertigem, desconforto torácico, náusea); dentre eles, os piores foram o sumatriptano e o zolmitriptano, enquanto que o naratriptano foi o melhor tolerado.
2) Os anti-inflamatórios foram bem tolerados, havendo semelhança entre os não-seletivos (naproxeno, ibuprofeno) e os seletivos da COX-2.
3) Nenhuma medicação foi associada a efeitos adversos graves.

De modo geral, o perfil de tolerabilidade de todas as medicações foram comparáveis, não havendo indicações prioritárias de alguma delas baseado apenas no aspecto dos efeitos adversos.

Um último recado aos clínicos e médicos que trabalham em emergência: sempre questionar o paciente sobre a frequência de suas crises; se for muito alta, vale a pena encaminhá-lo para a consulta com um neurologista, a fim de se decidir a melhor terapia preventiva, bem como outras orientações sobre como evitar novas crises.

Fontes: Fontes: The New England Journal of Medicine -TuaSaúde -Dra. Dayanna de Oliveira Quintanilha- Dr.Henrique Cal  

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Francisco Carlos Ceccon - Fontes: TuaSaúde -Dra. Dayanna de Oliveira Quintanilha-Dr.Henrique Cal

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